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Se você desconfia do seu funcionário quando ele está em home office, isso diz muito sobre você como chefe

Mônica Pires      terça-feira, 4 de dezembro de 2018

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Na corriqueira leitura da manhã, apareceu entre os artigos do LinkedIn relacionados às minhas preferências um texto interessante sobre home office escrito pelo Adam Henderson.

Trabalhei para uma empresa que me permitia cumprir as sextas-feiras em casa e era o dia mais produtivo da semana. Nem sempre as empresas têm esse olhar para o trabalho remoto, mas uma coisa é certa: a retenção de talentos passa por aí, sim. Hoje, trabalhando com tradução num espaço só meu e podendo me organizar à minha moda entre estudo, trabalho, casa, filha e o que mais eu quiser, convido vocês a fazerem essa reflexão sobre a flexibilização do trabalho. O texto dele está aqui, traduzido abaixo, com carinho. Boa leitura.

 

“Quando fiz uma pesquisa com os millennials, descobri que poder trabalhar de modo remoto era essencial para qualquer funcionário moderno, com 91% deles afirmando que o trabalho remoto era importante e 92% deles dizendo que gostariam de ter a opção de poder trabalhar em casa. Curiosamente, 66% disseram que prefeririam trabalhar mais no escritório do que em casa e 0% disseram que gostariam de trabalhar exclusivamente em casa.

Como alguém que já trabalhou 100% no escritório, 100% em casa, numa mistura de ambos e também viajando pelas estradas que rasgam esse país, tenho considerável experiência com as várias modalidades de trabalho. Infelizmente, não existe um modo ideal para se trabalhar, pois cada cenário tem seus pontos positivos e negativos. No entanto, é importante compreender que o trabalho remoto não se trata somente do local onde você trabalha (ou seja, em casa ou no escritório), mas também quando e como você trabalha. O trabalho remoto é aquele que te dá flexibilidade para gerenciar seu tempo e recursos de uma forma que seja mais eficiente para você. Dessa forma, você consegue ser mais produtivo e assim o trabalho é não só entregue como também executado com a melhor qualidade possível, mantendo um melhor equilíbrio entre o pessoal e o profissional.

Por exemplo, na época em que trabalhei em agências de publicidade, as pessoas mais criativas pareciam não gostar das primeiras horas da manhã e preferir iniciar o trabalho mais tarde. Por essa razão, eu raramente via os membros da equipe de criação ativos pela manhã, mas algumas horas depois eles chegavam no escritório, cheios de vida e energia, prontos para encarar o dia. Às seis da tarde, seguiam para um happy hour depois do trabalho e depois voltavam para o escritório para preparar uma próxima obra-prima e ficavam por lá até tarde da noite (muitas vezes com caixas de pizza e garrafas de cerveja vazias na manhã seguinte). O que eu aprendi com essa experiência foi que ser criativo e empenhar-se não é um fenômeno restrito a escritórios ou a horas específicas do dia e que forçar essas situações é contraproducente. Em um mercado tão competitivo onde pensamentos criativos e inovadores agitam os negócios e os diferenciam, é crucial deixar os funcionários trabalhem da forma que seja melhor para eles, pois isso faz com que que a motivação e a criatividade permaneçam altas e o trabalho seja entregue como esperado (ou melhor).

Essa abordagem flexível ao trabalho também ajuda as empresas a reterem seus melhores talentos, já que estão oferecendo aos seus funcionários a opção de desempenharem suas funções de modo que tudo se adapte ao estilo de vida de cada um, proporcionando um cenário de sucesso para todos.

É tudo muito prático, mas pode ser que você precise comparecer às reuniões de equipe e dar as caras de vez em quando, mas isso pode ser facilmente resolvido fixando alguns dias e horários para isso, como quando todo mundo tem que estar no escritório, por exemplo, todas as segundas e quartas-feiras. Reuniões podem ser realizadas entre esses horários e com todos, mas a equipe terá a possibilidade de trabalhar de forma flexível pelo resto da semana para entregar o trabalho necessário. Nas ocasiões em que as principais reuniões precisarem acontecer fora desses horários, lembre-se que a videoconferência e a conectividade rápida melhoraram tanto que você pode entrar facilmente em videoconferência ou compartilhar sua tela de qualquer lugar e com qualquer pessoa.

Para todos os benefícios que o trabalho flexível traz e com as novas formas de trabalho proporcionadas pela tecnologia, é necessário que haja confiança. Infelizmente muitas empresas ainda têm a mentalidade do tipo "o olho do dono é que engorda o gado”, ou seja, se eles não podem ver você, não sabem o que está fazendo e não têm controle do negócio e podem achar que não está trabalhando. É por isso que a decisão da CEO da Yahoo, Marissa Mayer, em 2013, de banir todo o trabalho remoto foi tão controversa, já que muitos entenderam que ela não confiava no trabalho de sua equipe se eles não estivessem presentes no escritório.

Além disso, as estatísticas mostram que as pessoas que trabalham fora do escritório compensam essa sensação de falta com melhor comunicação e trabalham mais para mostrar a seus colegas que estão de fato trabalhando. É uma resposta à visão negativa que muitos têm de que aqueles trabalhando remotamente estão apenas tendo um dia de folga. Essa mentalidade de falta de confiança acaba prejudicando o modo que o trabalho remoto acaba se desenvolvendo na realidade, pois a pessoa acaba trabalhando mais horas e se sente culpada, numa pressão que só atrapalha, além de ser induzido a acreditar que trabalhar nas horas estabelecidas no escritório teria sido a melhor opção.

As empresas modernas precisam livrar-se dos velhos hábitos da era industrial, em que as pessoas iam para um único local de trabalho das 9h00 às 18h00 todos os dias realizarem suas tarefas. Em vez disso, precisam reconhecer que o mundo mudou, que os serviços baseados na tecnologia ou viabilizados por ela são significativamente diferentes dos de antes, que a vida segue sendo modernizada e que as pessoas trabalham de maneiras diferentes. É necessário confiar que seus funcionários assumem de fato a responsabilidade de sua própria carga de trabalho e gerenciamento de tempo para fazerem as coisas, seja às 9h da manhã no escritório ou às 9h da noite em casa. Se as empresas não podem confiar em seus funcionários a ponto de permitir que trabalhem com flexibilidade, certamente não podem confiar neles para fazer mais nada. Então também não podem compartilhar com eles informações comerciais confidenciais e detalhes financeiros, não é?

Se as empresas não confiam em seus funcionários, então eu pergunto: por que afinal contratou uma pessoa em quem não confia?”

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