THIS CONTENT IS
CURRENTLY UNAVAILABLE

O que é um arquivo editável (e por que o PDF não é tão editável assim)

Mônica Pires      sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Compartilhe esta página com seus amigos

“Arquivo editável” são duas palavrinhas mágicas que, juntas, ativam certos poderes de otimização de custo e de tempo. O motivo é simples: no universo tradutório, arquivos editáveis podem ser facilmente importados às ferramentas CAT*, possibilitando à equipe de localização a aplicação de processos de adaptação linguística e técnica cuidadosamente desenvolvidos, controle de qualidade e DTP, ou seja, a fidelíssima formatação automática da página traduzida conforme o esteja o documento original. Em síntese, não há processo complexo de localização/tradução e nem o controle de qualidade confiável desses trabalhos sem o uso de ferramentas CAT e o trabalho delas é otimizado quando são carregados arquivos editáveis.

O que é um arquivo editável afinal?

Um arquivo editável é simplesmente um arquivo eletrônico que pode ser utilizado para automação e processamento assistido por computador, ou seja, qualquer arquivo que possa ser editado, alterado ou atualizado (ao menos) no próprio ambiente de seu programa nativo.

Arquivos utilizados para tradução/localização não são desenvolvidos originalmente em ferramentas CAT. Mas uma das coisas que fazem dessas ferramentas algo tão incrível é seu suporte interno para uma série de documentos editável comuns, tais como: html, xml, txt, srt, diversos documentos gerados via programas do pacote Office, arquivos gerados em certos programas da família Adobe, como por exemplo o FrameMaker, o InDesign, o InCopy, entre outros.

Esses tipos de documentos podem ser facilmente importados e manipulados em ferramentas CAT e os arquivos traduzidos/localizados podem ser exportados em seu formato nativo, com pouca ou nenhuma edição adicional caso serviços adicionais de DTP** não tenham sido contratados. Além disso, ao traduzirmos com CAT, conseguimos observar o documento no painel de visualização no formato que ganhará antes mesmo de ser exportado. Dessa forma, conseguimos ver se tudo vai indo bem ao longo do processo tradutório.

Uma apresentação PowerPoint pode ser importada, editada, traduzida e revisada em uma ferramenta CAT, exportada de volta em formato pptx e a única coisa que pode ser necessária no fim será alguma adaptação de tamanho de fontes ou reposicionamento de caixas de texto, caso o texto traduzido tenha mais ou menos palavras do que o original. Se o arquivo estiver cheio de figuras não-editáveis e que contenham textos em formato de foto a serem traduzidos, um profissional de DTP deve ser considerado no processo.

Por que o PDF não é um arquivo tão editável assim?

O formato PDF (Portable Document Format) foi desenvolvido pela Adobe em 1993 como um formato para apresentações que pudesse exibir o documento por completo (incluindo leiaute, fonte e elementos interativos) em diversas plataformas de hardware e software.

Ao longo dos anos (ou décadas, para ser mais precisa), o formato foi evoluindo e ganhando complexidade e hoje inclui características avançadas de segurança e de interatividade, o que o tornou indispensável nas operações em escritórios do mundo todo. Contudo, seu propósito inicial permanece sendo o de uma apresentação para plataformas diversas e ele segue sem vocação para edições profundas - pode ser utilizado como um formato de exportação de documento de vários programas (exportar em formato PDF a partir do Word, por exemplo), mas devido à sua complexidade e aos seus vários padrões e recursos, geralmente pode ser editável apenas em seu aplicativo nativo (salvo programas que, bem “malemá”, quebram algum galho).

Por exemplo, um arquivo gráfico gerado no Adobe Illustrator e exportado como PDF pode ser facilmente editado e reeditado no Adobe Illustrator, contanto que as capacidades de edição tenham sido preservadas (ainda tem isso!) e selecionadas no programa antes do arquivo ser exportado do Illustrator. Na maioria dos casos, esse documento PDF será editado somente no Adobe Illustrator e será inútil para processamento em CAT. Mesmo que o software CAT pudesse extrair o texto, com certeza ainda haveria questões com o leiaute e o PDF traduzido seria praticamente impossível de ser reparado.

Conseguimos traduzir diretamente a partir de um arquivo PDF?

Conseguimos sim. Mas os tradutores perdem bastante tempo no processo, nem sempre (quase nunca, para ser mais realista) o painel de visualização vai funcionar (a incerteza sobre os atributos do texto final começa a bater) e a qualidade do arquivo exportado pode não ser garantida. Isso porque essa operação, em muitos casos, é feita por um único linguista e a probabilidade de ocorrerem erros humanos acaba sendo maior. Ou seja, seria impossível operacionalizar um processo de localização de larga escala com resultados garantidos e previsíveis.

 

Se adicionarmos os inevitáveis problemas de design, leiaute e fonte, é fácil entender porque as limitações técnicas dessa abordagem acabariam por resultar em um projeto caro, demorado e difícil, com resultados imprevisíveis. E ninguém quer uma coisa dessas.
 

Imagine se depois de traduzir tudo sem ao menos poder visualizar o resultado parcial no painel, na hora de exportar, a gente não conseguir abrir o arquivo. O prazo com o cliente vai por água abaixo, junto com a perda de qualidade, além do retrabalho que isso pode gerar ou da necessidade de enviar tudo a um profissional de DTP às pressas para apagar um incêndio que poderia ter sido evitado.

Estes são os motivos principais pelos quais seu tradutor pede que sejam enviados arquivos editáveis. Ouça-o com carinho.

Fazemos isso para que não perca tanto tempo (nem você e nem o tradutor!), para que não fique esperando mais do que o prazo dado para a conclusão do trabalho e não gaste dinheiro demais para ter sua tradução em mãos.

O bom tradutor facilita a vida do cliente com soluções inteligentes para entregar um trabalho final de qualidade excepcional.

_________________________________

* As ferramentas CAT, ao contrário do achismo do senso comum, não têm a função de traduzir um documento eletronicamente, mas sim a de facilitar o uso/criação de glossários, além de servir para visualizar a tradução organizada em segmentos espelhados com o texto original e de preservar a formatação do original na exportação do documento traduzido. É, de fato, uma FERRAMENTA de auxílio em processos tradutórios.

** DTP - Desktop Publishing – é o que chamamos de Diagramação e Editoração Eletrônica. Todo bom tradutor sabe que nem sempre recebe arquivos editáveis para usar com suas CATs, por isso, deve ter seu profissional de DTP de confiança para trabalhar em arquivos antes e depois de traduzi-los.

____________________________

A Tradupoints disponibiliza seus serviços de tradução, interpretação de conferência, revisão e curso de inglês de fim específico (aviação e acadêmico).

Para contato, é só mandar uma mensagem pelo Whats App no botão abaixo ou um e-mail para contato@tradupoints.com.br.

 

Comentários

Outros artigos

O que Oxalá e Alá têm em comum?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Erros de tradução que mudaram a História – Parte 2

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Literatura online - aprendendo com as feras

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Erros de tradução que mudaram a História – Parte 3

quarta-feira, 2 de setembro de 2015