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A insegurança intelectual do brasileiro (e outras devastações culturais)

José Roberto Rodrigues      sexta-feira, 15 de abril de 2016

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Há muito se nota no Brasil uma verdadeira devastação cultural. Isso vem ocorrendo há pelo menos uns trinta anos. Acha que estou sendo um tanto radical? Explico.

A educação oficial não vincula os fatos com a situação atual da sociedade brasileira! Não há criação cultural nas universidades, apenas uma repetição inócua de conhecimentos já instituidos.

Ser brasileiro, hoje, não representa nada na universalidade do mundo! A insegurança intelectual do brasileiro é lamentável e é motivo de preocupação de pessoas mais sérias no país. O pior é que esta insegurança, em todos os níveis é o estado natural do brasileiro! Aqui, no Brasil, não se estuda nada com a seriedade que se merece o que se é necessária. E não existe sequer uma causa, porque não há causa para o que não aconteceu!

Trabalhos de pesquisa são sugeridos com finalidade escolar e não para ser utilizado na vida real, como resultado de uma real vivência investigativa. Nenhum transcende a realidade escolar! Ninguém, a não ser a banca examinadora daquele trabalho o lerá (espera-se)! É mais um trabalho escolar, e só.

Nossa educação (auto educação) se realiza pela leitura séria e disciplina de bons textos. As obras de autores brasileiros estão escassas por falta evidente e lamentável de verdadeiros literatos, pensadores, intelectuais nacionais. Assim, é preciso que cada um de nós se ocupe com a sua própria educação. Cada um de nós deve fazer o seu mapeamento educacional e começar a estudar, seriamente, já que nossas escolas, e mesmo as universidades, não se dão conta disso, infelizmente. Devemos começar a selecionar obras fundamentais e o que foi escrito de valoroso sobre essas mesmas obras fundamentais, para que possamos engendrar um plano educacional específico para nós. Devemos esboçar uma trilha intelectual com resenhas, livros, ensaios críticos sobre livros, conversas com pessoas de real valor intelectual e, então, delinearmos o nosso eventual campo de interesse cognitivo.

Você pode agora achar que esse artigo tem tom elitista, pois, infelizmente, aos olhos dos que hoje estão aí em evidência, estudo é ‘privilégio da elite’. Mas isso não é verdade. Isso é o que quer que acreditemos. O conhecimento é uma busca solitária e independe das instituições. Depende somente de você.

Ao trilharmos o inicialmente penoso caminho da busca pelo conhecimento, poderemos definir o setor pelo qual passaremos a nos dedicar intensa e exclusivamente, embora o intelectual, costumeiramente, se interesse por mais de uma área de saber. Um dos conselhos do polêmico Olavo de Carvalho é que façamos, preliminarmente, um estudo sobre a história da disciplina ou ciência por nós eleita. Isso já elimina mais da metade dos candidatos a intelectual. Não se deve sair lendo livros a torto e direito! Isso não nos tornará intelectuais; apenas ferrenhos leitores e nada mais. É necessária uma ordem, uma cronologia do conhecimento distinguido pelo nosso interesse. Poderemos até mudar de disciplina mais tarde, mas isso é outra coisa. Conhecer bem uma coisa ou ciência é conhecer, sobretudo, a sua evolução na história. Ao final, acabará por compor uma biblioteca pessoal que será a sua cara. Ela conterá tudo que lhe interessa e será, por assim dizer, o seu próprio fichário intelectual.

Dê um pequeno passo em busca do saber todos os dias. Pequeno que seja, mas dê. No fim desse dia, faça a sua análise e responda: o que aprendi hoje? Como aprendi? Saiba identificar as fontes de aprendizado que você utilizou.

O conhecimento não é só acadêmico. O intelectual não é só o cara que nadou em livros de filosofia durante toda a vida. Pode ser qualquer pessoa que tenha um método de aprendizado e de aquisição e gerência de seu conhecimento desde sempre.

Boa jornada!

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